3  Homebrew

DicaCapítulo para usuários macOS

Este capítulo é destinado a usuários de Mac. Se você utiliza Windows, siga para o Capítulo 4.

Agora que você já conhece o Terminal e compreende seu papel como uma forma direta de se comunicar com o computador, é natural perguntar-se como instalar programas apenas digitando comandos. Em sistemas baseados em Unix, como o macOS, existe uma ferramenta poderosa que simplifica completamente essa tarefa: o Homebrew.

Ele se tornou, ao longo da última década, o principal gerenciador de pacotes do macOS e um dos primeiros passos para qualquer pessoa que pretenda trabalhar com programação, ciência de dados ou desenvolvimento em geral.

Este capítulo apresenta o Homebrew de forma narrativa e progressiva, explicando o que ele é, para que serve, como instalá-lo, como utilizá-lo e, por fim, como lidar com erros comuns. Depois, abordaremos o que usuários Windows devem usar como alternativa, dado que o sistema da Microsoft não dispõe de Homebrew.


3.1 O que é o Homebrew?

Instalar programas no macOS pode ser um processo trabalhoso: baixar arquivos .dmg, arrastar aplicativos para a pasta de Aplicativos, aguardar permissões, procurar atualizações, e assim por diante. Com o Homebrew, tudo isso é substituído por uma experiência fluida.

Homebrew é um gerenciador de pacotes, ou seja, uma ferramenta que localiza, instala, atualiza e remove softwares diretamente pelo Terminal. Ele centraliza essas operações, organiza as dependências e evita que o sistema fique cheio de arquivos espalhados em múltiplas pastas.

A filosofia do projeto é simples e direta: “The missing package manager for macOS.”

O Homebrew permite instalar linguagens de programação (como Python, R e Node), ferramentas como Git, editores como VS Code, conversores como Pandoc, e até bancos de dados complexos, tudo com um único comando.


3.2 Instalando o Homebrew

Para instalar o Homebrew, abra o aplicativo Terminal no macOS e digite:

/bin/bash -c "$(curl -fsSL https://raw.githubusercontent.com/Homebrew/install/HEAD/install.sh)"

Esse comando baixa o instalador oficial e inicia o processo de instalação. O sistema pode pedir sua senha de administrador — embora nada apareça ao digitar, isso é normal.

Ao final, o Terminal exibirá algumas instruções adicionais, incluindo comandos para ativar o Homebrew automaticamente. Em computadores com chip Apple Silicon (M1, M2, M3), essas linhas costumam ser:

echo 'eval "$(/opt/homebrew/bin/brew shellenv)"' >> ~/.zprofile
eval "$(/opt/homebrew/bin/brew shellenv)"

Depois disso, basta confirmar que tudo funcionou digitanto brew --version no Terminal:

brew --version

Se uma versão aparecer, o Homebrew está ativo.


3.3 Instalando Programas com o Homebrew

Uma vez instalado, o Homebrew transforma o Terminal em uma central de controle. Por exemplo, para instalar o Git:

brew install git

O Homebrew realiza todas as etapas em silêncio: baixa o pacote, confere a integridade, instala as dependências e registra internamente.

Para instalar um aplicativo gráfico, utilize a opção --cask:

brew install --cask visual-studio-code

O aplicativo surgirá automaticamente na sua pasta de Aplicativos.

O Homebrew disponibiliza uma vasta coleção de ferramentas científicas, aplicativos de desenvolvimento, bancos de dados e utilitários de linha de comando.


3.4 Atualizando e Organizando o Sistema

Com o tempo, seus programas precisarão de atualizações. Com o Homebrew, esse processo é simples e unificado. Primeiro, atualize a lista interna de “receitas”:

brew update

Em seguida, atualize os programas instalados:

brew upgrade

Ao final, limpe versões antigas:

brew cleanup

Esse ciclo mantém o ambiente organizado, previsível e atualizado.


3.5 Onde o Homebrew Guarda os Programas?

Todos os arquivos instalados pelo Homebrew ficam, por padrão, armazenados dentro de:

/opt/homebrew/

Essa estrutura evita interferências nos arquivos internos do macOS e centraliza todas as instalações em um único local. O diretório bin/ guarda programas executáveis, lib/ contém bibliotecas, e assim por diante.


3.6 Exemplos Ilustrados

3.6.1 Instalar o Python

brew install python

Saída típica:

==> Downloading python...
==> Installing python...
==> Summary
🍺  /opt/homebrew/Cellar/python/3.12.1: 5,234 files, 60MB

3.6.2 Procurar um pacote

brew search quarto

Resposta:

==> Formulae
quarto-cli

3.6.3 Remover um programa

brew uninstall git

3.7 Alternativas para Usuários Windows

Embora o Windows não tenha Homebrew, ele possui alternativas modernas. A principal é o Windows Package Manager, conhecido como winget, integrado ao Windows 10 e 11.

Instalar o Git no Windows com winget é tão simples quanto:

winget install Git.Git

Para atualizar tudo:

winget upgrade --all

Outra alternativa é o Chocolatey, uma ferramenta veterana e amplamente utilizada em ambientes corporativos.


3.8 Problemas e Erros Comuns

3.8.1 1. Command not found: brew

Execute:

echo 'eval "$(/opt/homebrew/bin/brew shellenv)"' >> ~/.zprofile
eval "$(/opt/homebrew/bin/brew shellenv)"

3.8.2 2. Permissão negada na instalação

sudo chown -R $(whoami) /opt/homebrew

3.8.3 3. Erros de rede ao baixar pacotes

brew update
brew upgrade
brew reinstall nome-do-pacote

3.8.4 4. Conflito entre versões do Python (sistema vs Homebrew)

which python3

3.9 Exercícios Práticos

  1. Instale o Homebrew e confirme com brew --version.
  2. Instale o Git e confirme com git --version.
  3. Busque o pacote quarto com o comando brew search quarto.
  4. Atualize seu Homebrew com brew update, brew upgrade e brew cleanup.
  5. (Windows) Instale o Git usando o winget e compare com o processo no macOS.

3.10 Conclusão

O Homebrew representa um marco para quem começa a usar o Terminal. Ele substitui processos manuais por uma solução transparente, elegante e extremamente eficiente. Dominar o Homebrew é dominar a sua própria máquina.